Sentiu o coração ‘falhar’ ou acelerar do nada? Entenda quando o sintoma pode ser um sinal de alerta

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O estilo de vida e os hábitos são os maiores causadores de doenças cardíacas em jovens Crédito: Shutterstock/reprodução

Quem nunca sentiu o coração acelerar de repente ou teve a impressão de que ele “pulou” uma batida? A sensação costuma durar poucos segundos, mas é suficiente para assustar e levantar dúvidas sobre a possibilidade de um problema cardíaco. Segundo a cardiologista Divya Korpu, da Mayo Clinic, essas percepções podem estar relacionadas às arritmias cardíacas, alterações no ritmo normal do coração que nem sempre representam um quadro grave, mas que merecem atenção quando se tornam frequentes ou vêm acompanhadas de outros sintomas.

“Essa sensação pode ser um ritmo cardíaco anormal, também conhecido como arritmia. As arritmias se dividem em duas categorias: aquelas em que o coração bate rápido demais e aquelas em que bate devagar demais. Um coração acelerado ou a sensação de uma batida ‘falhando’ geralmente está relacionada à primeira categoria”, explica.

Por que o coração parece “falhar”?

Quando um batimento irregular interrompe o ritmo habitual, surgem as chamadas palpitações. Muitas pessoas descrevem a sensação como se o coração estivesse disparado, tremulando, dando uma pausa ou deixando de bater por um instante. Em alguns casos, esse episódio também pode ser acompanhado por ansiedade ou sensação de pânico. Segundo a cardiologista, os sintomas costumam ser percebidos com mais facilidade à noite ou ao deitar, quando há menos estímulos externos e a atenção se volta para as sensações do próprio corpo.

Nem toda arritmia é perigosa

Os batimentos acelerados ou irregulares podem surgir nas câmaras superiores ou inferiores do coração. Quando começam na parte superior, recebem o nome de contrações atriais prematuras (CAPs). Já quando se originam nas câmaras inferiores, são chamadas de contrações ventriculares prematuras (CVPs). Embora provoquem preocupação, essas alterações costumam ser benignas. Segundo a especialista, CAPs e CVPs geralmente não provocam infarto, AVC nem aumentam o risco de morte.

O que pode provocar esses episódios? Diversos fatores podem desencadear alterações no ritmo cardíaco, entre eles:

  • circuitos elétricos anormais presentes desde o nascimento;
  • distúrbios da tireoide;
  • alterações hormonais, como gravidez e menopausa;
  • consumo excessivo de cafeína;
  • consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Quando os episódios são esporádicos e não interferem na rotina, muitas pessoas conseguem conviver normalmente com eles. Já nos casos em que as palpitações passam a incomodar, medicamentos podem ajudar a controlar os batimentos extras. Existe alguma forma de aliviar a crise? Durante um episódio súbito de taquicardia, algumas manobras podem ajudar a desacelerar os batimentos.

Entre elas estão:

  • fazer força como se estivesse evacuando;
  • soprar por um canudo com a outra extremidade fechada;
  • realizar a manobra usada para desentupir os ouvidos durante uma viagem de avião;
  • mergulhar o rosto em água gelada;
  • tomar um banho frio.

Essas medidas, conhecidas como manobras vagais, são temporárias e não substituem a avaliação médica.

Quando procurar um cardiologista?

Se os sintomas persistirem ou se tornarem frequentes, pode ser necessário realizar exames específicos, como o estudo eletrofisiológico. Dependendo do resultado, o tratamento pode incluir uma ablação por cateter, procedimento minimamente invasivo em que cateteres são introduzidos por veias da virilha até o coração para localizar e eliminar o circuito elétrico responsável pela arritmia.

Na maioria dos casos, a recuperação é rápida. O paciente costuma receber alta no mesmo dia, deve permanecer acompanhado nas primeiras 24 horas, evitar dirigir nesse período e não levantar peso durante aproximadamente uma semana. Arritmia muda com a idade Nos adultos jovens, as alterações mais comuns costumam ser as CAPs e CVPs.

Já entre os idosos, a principal arritmia é a fibrilação atrial (FA), que também pode causar palpitações, desconforto no peito, tontura, fadiga e, em alguns casos, desmaios. Há ainda pacientes que não apresentam qualquer sintoma e descobrem o problema durante exames de rotina.

As causas mais frequentes incluem:

  • apneia do sono não tratada;
  • consumo excessivo de cafeína;
  • ingestão exagerada de álcool;
  • distúrbios da tireoide;
  • alterações hormonais.

Em uma parcela menor dos pacientes, alimentos muito apimentados também podem desencadear episódios. Tratamento reduz risco de AVC O tratamento da fibrilação atrial pode incluir medicamentos para controlar a frequência ou o ritmo cardíaco e procedimentos de ablação.

Além das técnicas tradicionais por radiofrequência (calor) e crioablação (frio), uma alternativa mais recente é a ablação por campo pulsado, tecnologia que atua de forma seletiva nas células do músculo cardíaco e reduz o risco de lesões em estruturas próximas ao coração.

Outro ponto importante é que a fibrilação atrial favorece a formação de coágulos dentro do coração, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, muitos pacientes precisam utilizar anticoagulantes após o diagnóstico. Quando esses medicamentos não podem ser usados, existe a possibilidade de implantar um dispositivo que fecha o apêndice atrial esquerdo, região onde a maioria dos coágulos costuma se formar.

“Se você está apresentando episódios de coração acelerado, percebendo batimentos falhados ou sintomas de ritmo cardíaco irregular, consulte seu profissional de saúde ou um cardiologista para determinar se é necessária avaliação ou tratamento adicionais”, orienta Divya Korpu.

Fonte: Jornal Correio

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