A moda em tempos perfeitos de IA

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Bia Willcox*

Somos bonitas e estamos cansadas. Nunca tivemos tanta autoestima alimentada por imagens e nunca estivemos tão exaustas de filtros, padrões e excessos que ditam o que vestir, comprar e ser. Há um cansaço silencioso crescendo, que não rejeita a tecnologia, mas busca escapar de sua lógica repetitiva e saturada.

Excesso de informação, comparação e estética pronta gera um desejo por respiro. Surge então um retorno ao tátil, ao humano, ao imperfeito: o retrô, o vintage, o usado com história. Não é só estética, é ruptura com o padrão. Uma moda mais sensível começa a ocupar ruas, festas e trabalhos, oferecendo abrigo contra a perfeição artificial.

Não é nostalgia, é liberdade. Um reencontro com referências de quando a vida parecia menos performática. A geração Z percebe isso: vestir-se deixa de ser sobre marcas e passa a ser sobre atitude consciente, resistência e identidade.

A moda se liberta de regras fixas: não precisa ser cara, nova, perfeita ou seguir tendências. Pode ser qualquer coisa, desde que nos alivie da obrigação de corresponder. Em meio à padronização, cresce o valor do singular.

Brechós e antiquários ganham força como espaços de criação e memória, desafiando o consumo homogêneo. O valor agora está na curadoria pessoal, na mistura improvável, no reuso e na autenticidade.

A moda contemporânea defende a autonomia: vestir-se como expressão livre, menos algorítmica e mais diversa. Ainda assim, a IA traz paradoxos interessantes. Ferramentas de experimentação ampliam possibilidades, ajudam a testar estilos e podem tornar o consumo mais consciente.

Usada com equilíbrio, a IA funciona como laboratório criativo, um espelho lúdico que incentiva a explorar versões de si. No fim, não deve ditar quem somos, mas ampliar quem podemos ser. Porque, entre algoritmos e escolhas, ainda somos nós que damos sentido ao que vestimos.

*Advogada, empresária, educadora e jornalista

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”

Fonte: Hoje em Dia

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