Por que usuários de canetas emagrecedoras estão se exercitando menos?

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Pausas curtas com exercícios durante o expediente ajudam a interromper longos períodos de sedentarismo Crédito: Magnific

Um novo estudo apresentado no Congresso Anual da Sociedade de Endocrinologia (ENDO 2026), em Chicago, revelou um efeito inesperado entre usuários das chamadas canetas emagrecedoras. Ao contrário da expectativa de que a perda de peso estimularia uma rotina mais ativa, os participantes passaram a praticar menos atividade física após iniciarem o tratamento com medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

A pesquisa, conduzida pelo St. John’s Hospital, nos Estados Unidos, analisou dados de 753 adultos com obesidade por meio de informações registradas em relógios inteligentes. Os resultados mostraram que a média de passos diários caiu de 5.047 para 4.487, enquanto o tempo gasto em atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa diminuiu de 28 para 22 minutos por dia. Segundo os pesquisadores, a redução foi mais acentuada entre homens e pessoas que já apresentavam dores articulares ou musculares.

Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas por Reprodução

Menos exercício pode comprometer os resultados

Para a endocrinologista Rosita Fontes, do laboratório Sérgio Franco, da Dasa, o estudo reforça que os medicamentos são eficazes para promover a perda de peso, mas não substituem mudanças no estilo de vida. Ela explica que o emagrecimento provocado pelos agonistas de GLP-1 não ocorre apenas pela redução da gordura corporal, mas também pode levar à perda de massa muscular magra. “Muitas pessoas pensam que o emagrecimento leva naturalmente ao aumento da atividade física, mas é necessária a participação ativa do paciente na busca por mais exercícios”, afirma.

Segundo a especialista, a prática regular de exercícios ajuda a preservar a massa muscular, manter o metabolismo ativo, melhorar o controle da glicemia em pessoas com diabetes e facilitar a manutenção do peso após o tratamento. “Sem o estímulo dos treinos, a perda dessa massa magra desacelera o metabolismo, prejudicando a manutenção do peso e a saúde de forma geral”, explica.

Coração também pode ser afetado

A redução da atividade física também preocupa cardiologistas. Segundo a cardiologista Fernanda Erthal, da clínica CDPI e do laboratório Bronstein, emagrecer não significa, necessariamente, melhorar a saúde cardiovascular. “A perda de peso isolada nem sempre caminha junto com o ganho em saúde cardiovascular. Os medicamentos da classe GLP-1 são aliados valiosos no tratamento da obesidade, mas tendem a reduzir não só gordura, também a massa magra”, afirma. Ela ressalta que exercícios de força associados às atividades aeróbicas continuam sendo parte essencial do tratamento, além do acompanhamento cardiológico para orientar a prática de atividades físicas de forma segura.

Medicamento é ferramenta, não solução

A endocrinologista Rosita Fontes destaca que as canetas emagrecedoras devem ser encaradas como parte de uma estratégia mais ampla de tratamento. “A medicação resolve o ponteiro da balança, mas não muda os hábitos por si só. Ela é uma excelente oportunidade para iniciar uma reeducação alimentar, incorporar atividade física e promover uma mudança real no estilo de vida”, afirma. A endocrinologista também alerta que a interrupção do tratamento sem mudanças de comportamento pode favorecer o reganho de peso e a piora do diabetes, além de reforçar que esses medicamentos só devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico.

Genética pode ajudar a personalizar o tratamento

O avanço da medicina genômica também começa a ser incorporado ao tratamento da obesidade. Segundo especialistas, testes genéticos podem identificar variantes relacionadas ao metabolismo, ao acúmulo de gordura e à resposta individual aos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, permitindo estratégias mais personalizadas. De acordo com o endocrinologista Adriano Cury, do Alta Diagnósticos, pessoas com o mesmo diagnóstico de obesidade podem responder de forma diferente aos tratamentos disponíveis, e parte dessa variação pode ser explicada por fatores genéticos.

Fonte: Jornal Correio

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