O frio prende o intestino? Especialista explica por que a prisão de ventre aumenta no inverno

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[Edicase]Inchaço ou distensão no abdômen é dos sintomas da síndrome do intestino irritável (Imagem: brizmaker | Shutterstock) Crédito: Imagem: brizmaker | Shutterstock

Com a chegada do inverno, muita gente percebe uma mudança no funcionamento do intestino. A sensação de estufamento, dificuldade para evacuar e desconforto abdominal costuma se tornar mais frequente, alimentando a ideia de que o frio seria o responsável pela prisão de ventre. Mas será que é isso mesmo?

Segundo especialistas, a resposta é não. As baixas temperaturas, por si só, não causam constipação. O que favorece o problema são as mudanças de comportamento típicas da estação, como beber menos água, reduzir o consumo de frutas e verduras, optar por refeições mais calóricas e diminuir a prática de atividades físicas.

De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), esses hábitos interferem diretamente no trânsito intestinal e podem tornar a evacuação mais difícil ao longo do inverno. “O intestino responde rapidamente às mudanças de comportamento. No inverno, muitas pessoas sentem menos sede, se movimentam menos e acabam consumindo menos frutas, verduras e alimentos ricos em fibras. Essa combinação favorece o ressecamento das fezes e dificulta sua eliminação”, explica a gastroenterologista Ana Flávia Passos Ramos, membro da FBG.

O frio não é o vilão

Apesar da percepção comum, não há evidências científicas de que a baixa temperatura, isoladamente, provoque alterações no funcionamento do intestino.

Segundo a especialista, o problema está nas mudanças de rotina. Além da menor ingestão de água, é comum que alimentos leves deem lugar a preparações mais gordurosas e que o consumo de fibras diminua. Sem fibras e água em quantidade suficiente, as fezes perdem volume e umidade, tornando a evacuação mais difícil. Outro fator importante é a redução da atividade física. A movimentação do corpo estimula os movimentos naturais do intestino, conhecidos como peristaltismo. Quando a rotina fica mais sedentária, esse processo também tende a desacelerar.

Embora a sensação de sede diminua nos dias frios, a necessidade de hidratação permanece praticamente a mesma durante todo o ano. “A água é fundamental para manter as fezes hidratadas e facilitar sua passagem pelo intestino. Mesmo sem sentir sede, é importante criar estratégias para manter uma boa ingestão de líquidos ao longo do dia”, orienta Ana Flávia.

Chás ajudam?

As bebidas quentes costumam ser uma alternativa para aumentar o consumo de líquidos durante o inverno. Chás, por exemplo, podem contribuir para a hidratação e proporcionar sensação de conforto. No entanto, segundo a gastroenterologista, não existe um efeito específico dessas bebidas sobre o funcionamento intestinal. O principal benefício está no aumento da ingestão de líquidos.

Já o consumo excessivo de café, bebidas açucaradas e álcool deve ser evitado, pois nem sempre elas promovem a mesma hidratação e, em alguns casos, podem agravar sintomas gastrointestinais.

Quando o problema merece atenção

Alterações ocasionais no ritmo intestinal costumam estar relacionadas aos hábitos do dia a dia. No entanto, quando a prisão de ventre persiste por várias semanas ou é acompanhada de dor intensa, sangue nas fezes, perda de peso ou mudanças importantes no padrão intestinal, é fundamental procurar avaliação médica.

“O intestino funciona como um importante indicador da saúde geral. Alterações persistentes nunca devem ser ignoradas, pois podem sinalizar doenças que precisam de diagnóstico e tratamento adequados”, alerta a especialista.

Fonte: Jornal Correio

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