A pergunta certa não é “como evitar a fraude no e-commerce”

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Imagem: Magnific.

Quando falamos de fraude no e-commerce, a pergunta mais comum ainda é: como evitar? Mas, na prática, a pergunta mais importante é outra: o que precisa acontecer antes para que ela nem chegue a existir?

Ao longo da minha experiência liderando a gestão financeira de operações digitais, acompanhando de perto resultados, fluxos e impactos diretos no caixa, fica claro que a fraude não começa na transação suspeita, ela começa muito antes, na ausência de estrutura, de processo e, principalmente, na falta de controle e de análise de dados.

A fraude mudou e ficou mais cara

De acordo com o Mapa da Fraude da ClearSale divulgado pela Serasa Experian, o Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude no e-commerce em 2025, com um impacto potencial de R$ 3 bilhões para o varejo digital. O dado mais relevante aqui não é apenas o volume, mas o comportamento: o valor médio das fraudes ultrapassa R$ 1.000 por pedido. Ou seja, não estamos falando de erro operacional, estamos falando de perdas relevantes concentradas em poucos eventos.

Isso mostra que a fraude não diminuiu. Ela evoluiu. Ficou mais sofisticada, mais direcionada e mais cara. E é exatamente por isso que tratar segurança como reação é um erro estratégico.

O erro mais comum: crescer sem proteger

Muitas empresas ainda começam sua operação priorizando conversão, adquirindo clientes e acelerando vendas, e deixam a segurança como uma camada posterior. O problema é que, quando ela não é pensada desde o início, o custo para corrigir depois é muito maior. E, na maioria dos casos, isso aparece na forma de chargeback.

O chargeback, ou reversão de pagamento, vai muito além de uma simples contestação. Ele envolve operadoras, afeta indicadores financeiros, gera prejuízo direto e, muitas vezes, desgaste com o consumidor. E pior, quando se torna recorrente, deixa de ser exceção e passa a ser parte da operação, o que nunca deveria acontecer.

O que precisa existir antes da fraude

Na prática, o que vejo funcionar não é apenas tecnologia, mas estrutura. Ter segurança desde o primeiro dia passa, obrigatoriamente, por implementar controles e ter dados bem organizados, proporcionando visibilidade da sua operação. Não é possível proteger o que não se enxerga. É a partir de um painel consistente de informações que conseguimos identificar comportamentos que fogem do padrão de uma compra real, seja pelo perfil do cliente, frequência, ticket médio ou combinação de variáveis.

Esse é, inclusive, o primeiro filtro de uma operação madura: olhar para a combinação de dados por trás do pedido em vez de olhar apenas para o pedido propriamente dito.

Monitoramento não é opcional

A partir disso, entra um segundo ponto fundamental: monitoramento constante. E aqui não falo apenas de processos automatizados, mas de uma operação ativa, ostensiva, que revisa pedidos aprovados, calibra regras, entende contextos e toma decisões com base em risco real, não em suposições.

Outro ponto crítico é a calibração das ferramentas de antifraude. Ter tecnologia não é suficiente, ela precisa estar ajustada à realidade de cada negócio. E, novamente, você só consegue fazer isso quando tem uma boa base de dados.

Na prática, segurança não é sobre barrar pedidos, é sobre barrar o pedido certo, no momento certo, sem prejudicar a experiência do cliente legítimo.

Crescer com segurança é uma escolha estratégica

Equilibrar crescimento com proteção é uma das maiores responsabilidades de quem está à frente de uma operação digital.

Crescer a qualquer custo pode até trazer resultado no curto prazo, mas compromete a sustentabilidade do negócio.

O que sustenta, de fato, uma operação saudável é o básico bem-feito: processos estruturados, dados confiáveis, monitoramento ativo, decisões orientadas por risco.

Pode parecer simples, mas não é trivial.

Antes da fraude, existe decisão

No fim, segurança não é uma camada adicional. Ela é parte do modelo operacional.

E quando isso não está claro desde o início, a fraude deixa de ser um risco e passa a ser uma certeza.

Por isso, mais do que evitar perdas, o papel da segurança é garantir que o crescimento seja, de fato, sustentável. E isso começa antes de a fraude existir.

Fonte: E-Commerce Brasil

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