Diversidade não é presença, é influência na decisão

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Thiago Carvalho*

Existe uma crença bastante difundida no mundo corporativo de que inovação depende, principalmente, de investimento, tecnologia e acesso aos melhores talentos. Embora esses fatores sejam fundamentais, acredito que muitas companhias ainda ignoram um obstáculo silencioso que limita sua capacidade de crescer e se reinventar. A homogeneidade.

Essa discussão se torna ainda mais relevante em um momento de profundas transformações no mundo do trabalho. O relatório The State of Organizations 2026, da McKinsey, aponta que os líderes enfrentam uma combinação inédita de fatores, que inclui a aceleração da inteligência artificial, novas expectativas da força de trabalho e um ambiente de negócios cada vez mais complexo e imprevisível. Nesse cenário, a capacidade de interpretar mudanças, questionar premissas e enxergar oportunidades sob diferentes perspectivas se torna tão importante quanto qualquer avanço tecnológico.

O problema é que muitas organizações ainda tomam decisões a partir de grupos que compartilham referências, trajetórias e formas de pensar muito semelhantes. A homogeneidade costuma ser confortável. Ela acelera consensos, reduz conflitos e transmite uma sensação de alinhamento.

Mas mercados complexos raramente recompensam respostas simples. As transformações mais relevantes dos últimos anos surgiram justamente quando alguém questionava uma lógica estabelecida e apresentava uma visão que parecia improvável naquele momento.

Não por acaso, estudos recentes continuam reforçando a relação entre ambientes inclusivos e desempenho organizacional. Um estudo da Catalyst divulgado neste ano mostrou que 80% das organizações permanecem comprometidas com iniciativas de inclusão, enquanto 79% dos profissionais afirmam ter uma percepção mais positiva sobre empresas que mantêm esse compromisso. A pesquisa também aponta que 74% dos entrevistados demonstram maior interesse em trabalhar para empresas que reforçam práticas inclusivas, evidenciando que o tema segue diretamente ligado à atração e retenção de talentos. 

Mas existe um ponto que considero ainda mais interessante. O debate sobre diversidade parece estar deixando de ser uma discussão sobre representatividade para se tornar um debate sobre qualidade das decisões. Em outras palavras, a questão já não é apenas quem está ocupando espaço dentro das companhias, mas de que forma essas diferentes vivências contribuem para ampliar a capacidade de análise, reduzir pontos cegos e desafiar certezas que muitas vezes passam despercebidas em ambientes excessivamente homogêneos.

O mês do orgulho oferece uma oportunidade importante para refletir sobre essa evolução. Durante muitos anos, a prioridade esteve em abrir portas e ampliar a presença de grupos historicamente sub-representados. Esse trabalho continua sendo essencial. Mas talvez o próximo passo seja garantir que essas vozes tenham influência real sobre os rumos do negócio.

Na minha visão, empresas que conseguirem transformar diversidade em pluralidade de pensamento estarão mais preparadas para enfrentar um mercado marcado por mudanças constantes. Porque, no fim das contas, o maior risco para uma organização pode não ser a falta de tecnologia, investimento ou talento. Pode ser a falsa sensação de segurança criada quando todos enxergam o mundo exatamente da mesma maneira.

*Diretor de Estratégia da Actionline

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Hoje em Dia”.

Fonte: Hoje em Dia

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