Por Redação do Grupo A Tarde
Escombros após terremotos na Venezuela – Foto: Federico Parra/AFP
Não se pode dizer “humanidade” sem os valores que a constituem, notadamente os atributos da solidariedade, da compaixão e da boa vontade. O terremoto na Venezuela é o novo cenário no qual os escombros produzem uma sensação de nada sobre a qual se impõe a conduta interrogativa.
Sabendo-se da esperança transportada nas ambulâncias, segue a pergunta “o socorro chegou?”, derivando a negação, “não, não chegou a tempo”. O imediato desalento substitui o esperado amparo, se a demora das equipes de resgate permite aos soterrados o alívio do derradeiro suspiro.Tudo sobre Opinião em primeira mão!Entre no canal do WhatsApp.
Em situações assim inesperadas pode-se avaliar como andam as estratégias de defesa civil, no caso de Caracas, o trabalho vem apresentando oscilações. Já que os bolivarianos enfrentam a dificuldade de contar com eles próprios, faz-se necessário o mutirão das nações unidas contra a dor e o sofrimento.
Ajuda humanitária já esteve mais na ordem do dia, pois além de cuidar dos vivos, a recuperação de corpos tem efeito sanitário e social de emergência. Embora tardia, esta força chegou com 2.245 socorristas de 27 países, a revirar tijolos e azulejos, móveis e pilastras, em busca de um sinal de sobrevivente.
Nesta seara da cooperação internacional, responde presente o Brasil de hoje, ao enviar reforços, recuperando imagem de líder do bem em alcance mundial. O momento agudo das lágrimas eleva a mobilização ao estatuto de exemplo de prática virtuosa a ser copiado em próximos eventos.
Não bastasse a intervenção em sua política interna, em janeiro, choram agora os vizinhos a agressão do cataclisma, tendo levado a óbito pelo menos 1.500. A ocorrência tem o didatismo da humildade, uma vez lembrar como é frágil a espécie diante de intempéries, além de desafiar sua própria natureza.
A brevidade da vida, medida pelo tempo esgotado, amplia a percepção de estarmos todos embarcados numa nave sem destino certo, exceto o absurdo da morte. Ninguém pode se autoproclamar imune aos acidentes, se a Venezuela padece hoje, outro país merecerá amanhã a mesmíssima consideração.
Fonte: A Tarde









