As consequências dos anabolizantes no corpo da mulher: entenda os efeitos de oxandrolona, testosterona e stanozolol

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Implante hormonal Crédito: Divulgação

O uso de anabolizantes para aumentar a massa muscular e reduzir o percentual de gordura pode provocar efeitos que vão além das mudanças na aparência física. Entre as mulheres que recorrem a substâncias com ação androgênica, as consequências podem incluir irregularidades menstruais, acne, aumento de pelos, alterações na voz e mudanças na anatomia genital. Os efeitos variam conforme a substância utilizada, a dose, o tempo de exposição e as características individuais.

Segundo a ginecologista e especialista em cirurgia íntima Mariana Macedo, substâncias como testosterona, oxandrolona e stanozolol interferem em mecanismos hormonais importantes para o funcionamento do organismo feminino. “Quando uma mulher utiliza um hormônio ou esteroide com atividade androgênica, não estamos falando apenas de uma mudança estética. A exposição inadequada aos andrógenos interfere na regulação hormonal e pode repercutir em diferentes tecidos, com efeitos que variam conforme a substância, dose, duração do uso e características individuais”.

Entre os primeiros efeitos que podem surgir estão as alterações no ciclo menstrual. A ação dos andrógenos pode interferir no eixo hormonal responsável pela ovulação e pela produção de hormônios ovarianos, provocando irregularidade na menstruação ou até a interrupção do ciclo. Essas mudanças também podem afetar a fertilidade durante o período de exposição, uma vez que a ovulação pode ser comprometida.

Outra possível consequência é a clitoromegalia, caracterizada pelo aumento do clitóris. A estrutura genital pode responder à exposição a determinadas substâncias androgênicas, com alterações no volume que merecem avaliação médica. “A clitoromegalia precisa ser avaliada de maneira individualizada. É importante saber quando a alteração começou, se houve progressão, quais sintomas estão presentes e qual foi o histórico de exposição hormonal. Algumas mulheres relatam desconforto físico ou atrito, enquanto outras sofrem principalmente com o impacto emocional provocado pela mudança anatômica”, explica a ginecologista.

Acompanhamento

A utilização de anabolizantes sem acompanhamento profissional também pode dificultar a identificação de efeitos adversos. Protocolos divulgados em redes sociais, academias e grupos de treinamento não consideram necessariamente o histórico ginecológico, as condições de saúde, o uso de medicamentos, as predisposições individuais e os planos reprodutivos de cada mulher.

“Uma estratégia utilizada por outra pessoa não equivale a uma indicação médica. A resposta aos anabolizantes é individual, e o acompanhamento permite identificar alterações enquanto elas estão acontecendo, além de avaliar exames, sintomas e possíveis contraindicações”, destaca.

O acompanhamento antes, durante e após o uso dessas substâncias permite avaliar o funcionamento hormonal e reprodutivo, além de monitorar a evolução dos efeitos adversos. A possibilidade de reversão depende do tipo de alteração e das características de cada caso: enquanto algumas manifestações podem regredir após a interrupção da exposição, outras mudanças físicas podem persistir e exigir avaliação especializada.

Quando as alterações anatômicas permanecem e provocam desconforto físico ou emocional, o tratamento deve ser individualizado. Uma das possibilidades é a clitoroplastia, procedimento cirúrgico destinado a remodelar ou reduzir o tecido clitoriano aumentado. A intervenção exige planejamento cuidadoso para preservar, sempre que possível, as estruturas responsáveis pela sensibilidade e pela função sexual.

“Uma indicação cirúrgica não deve partir apenas de uma comparação estética. É necessário avaliar anatomia, sintomas, função, sensibilidade e o impacto da alteração na vida da paciente. Quando a cirurgia é indicada, o planejamento precisa priorizar a preservação da sensibilidade e da função genital, já que se trata de uma região com estruturas fundamentais para a resposta sexual”, conclui.

Fonte: Jornal Correio

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