Além da tradicional colonoscopia, exames de sangue e de fezes podem fazer parte da rotina de rastreio do câncer de intestino Crédito: Shutterstock
A colonoscopia continua sendo o principal exame para detectar e prevenir o câncer colorretal, mas novos testes de sangue e de fezes passam a ganhar espaço como aliados no rastreamento da doença. A atualização das diretrizes da Sociedade Americana do Câncer (ACS), divulgada no fim de maio, recomenda que pessoas entre 45 e 75 anos realizem exames preventivos regularmente, combinando diferentes métodos para ampliar as chances de diagnóstico precoce.
Entre as novidades estão os testes que identificam marcadores de DNA tumoral no sangue e o exame de sangue oculto nas fezes. Embora não substituam a colonoscopia — único procedimento capaz de localizar e retirar pólipos durante o próprio exame —, eles podem ajudar a identificar quem precisa de uma investigação mais detalhada e aumentar a adesão ao rastreamento.
Segundo especialistas, detectar o câncer antes do aparecimento dos sintomas, como sangue nas fezes ou alterações no funcionamento do intestino, aumenta significativamente as chances de cura. O alerta é ainda maior para adultos mais jovens, já que cresce o número de casos em pessoas com menos de 50 anos, muitas delas sem histórico familiar da doença. Entre os fatores associados estão sedentarismo, obesidade, consumo de álcool, tabagismo e alimentação rica em ultraprocessados e gorduras saturadas.
Para quem tem pai, mãe ou outro parente de primeiro grau diagnosticado com câncer colorretal, a orientação é iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico ou aos 45 anos, prevalecendo o que ocorrer primeiro.
“A ACS foi pioneira na modificação da faixa etária de início do rastreamento e agora mostra seu pioneirismo de novo ao reforçar o papel de outros testes além da colonoscopia para ajudar no combate a essa doença, que tem um número progressivo de casos globalmente”, avalia o coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein Hospital Israelita.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda recomenda o rastreamento a partir dos 50 anos. No entanto, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) anunciou que, no segundo semestre de 2026, pretende incorporar à atenção primária o teste imunoquímico fecal (FIT), que detecta sangue oculto nas fezes, para homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos. A expectativa é alcançar cerca de 40 milhões de brasileiros, enquanto o Ministério da Saúde também planeja ampliar a oferta de colonoscopias no país.
Nova estratégia
Apesar de a idade adotada pela ACS e pelas sociedades brasileiras de Cirurgia Oncológica (SBCO) e de Coloproctologia (SBCP) ser 45 anos para início do rastreio, o SUS mantém a recomendação de que o processo comece a partir dos 50. A justificativa é de que ainda não há consenso internacional sobre os benefícios da medida.
O ministério não informou à reportagem quando o projeto de fato começará nem quais cidades devem recebê-lo primeiro. “Para nós, a adoção de uma política pública nacional é uma grande vitória. O ideal seria que esses exames começassem aos 45 anos, mas ter uma rede de prevenção de casos assintomáticos era uma demanda que não podia mais esperar”, avalia o médico do Einstein.
Fonte: Jornal Correio









