Este hábito comum pode comprometer sua audição para sempre, alerta especialista

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O uso desses fones de ouvido especiais pode deixar o ouvido e o cérebro mal acostumados. Crédito: Imagem: Bicanski/Pixnio

A exposição frequente a ruídos intensos pode aumentar os níveis de estresse, causar irritabilidade e favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares e mentais. A poluição sonora também está associada a danos irreversíveis à audição. Nesse cenário, o uso inadequado de fones de ouvido representa um fator adicional de risco para a saúde auditiva.

Um estudo publicado em 2022 pela revista científica BMJ Global Health aponta que mais de 1 bilhão de jovens entre 12 e 34 anos correm sério risco de desenvolver perda auditiva em razão do uso inadequado de fones de ouvido e da exposição frequente a ambientes com níveis elevados de ruído.

O otorrinolaringologista Guilherme Horbilon, do Órion Complex, em Goiânia, explica que a exposição aguda a sons muito intensos pode provocar dor de ouvido, zumbido e perda auditiva súbita. Já a exposição prolongada ao barulho tende a causar uma perda auditiva gradual, progressiva e irreversível.

Segundo o médico, o problema não está no uso dos fones de ouvido em si, mas na combinação entre volume elevado e longos períodos de exposição. Se uma pessoa ficar exposta a um som com intensidade de 92dB por mais de 30 minutos diários, por exemplo, ela terá risco alto de dano permanente no sistema auditivo.

“O uso prolongado de fones de ouvido está cada vez mais frequente e isso tem causado perda auditiva semelhante àquela induzida por máquinas em grandes indústrias em seus trabalhadores”, explica.

Para preservar a saúde auditiva, Horbilon recomenda utilizar os fones com o volume em até 60% da capacidade máxima do aparelho. Também é importante fazer pausas regulares, permanecendo sem o uso dos fones a cada duas horas de utilização contínua.

A escolha do modelo de fone também faz diferença. Segundo o especialista, os modelos com concha externa, que ajudam a isolar os ruídos do ambiente, são mais indicados, pois permitem ouvir o conteúdo em volumes menores. Nesse aspecto, apresentam vantagem em relação aos fones intra-auriculares.

Silêncio

Além dos prejuízos à audição, a exposição prolongada a sons altos pode provocar estresse, dificuldade de concentração, zumbido e aumento da pressão arterial, entre outros problemas. Por isso, o otorrinolaringologista recomenda reservar momentos de silêncio ao longo do dia.

De acordo com o médico, o silêncio contribui para manter a saúde auditiva e também oferece benefícios para o bem-estar mental. Esses períodos sem estímulos sonoros favorecem a conexão consigo mesmo, ajudam a reduzir a carga de estresse e promovem melhorias na saúde mental.

“A vida em grandes cidades nos expõe a estímulos sonoros de diversas intensidades. A redução do estímulo sonoro em um ambiente silencioso pode facilitar a conexão com a própria consciência. A meditação em silêncio, para algumas pessoas, pode ser um artifício de auto-ajuda e saúde mental, por exemplo”, reforça.

Fonte: Jornal Correio

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