Maíra Cardi e Juliane Massaoka reacendem alerta sobre substância proibida após complicações anos depois

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Maíra Cardi e Juliane Massaoka reacendem alerta sobre substância proibida após complicações anos depois Crédito: Reprodução

Os relatos recentes da influenciadora Maíra Cardi e da jornalista Juliane Massaoka voltaram a colocar o PMMA (polimetilmetacrilato) no centro das discussões sobre segurança em procedimentos estéticos. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta semana, Maíra contou que fragmentos da substância continuam saindo do próprio rosto mais de uma década após a aplicação.

Quase ao mesmo tempo, Juliane revelou que quase perdeu o nariz por causa do mesmo material, que, segundo ela, foi injetado sem seu conhecimento durante uma rinoplastia realizada quando tinha apenas 17 anos. Em junho de 2026, a jornalista relatou que ainda enfrentava feridas abertas, uso contínuo de antibióticos e sessões de tratamento em câmara hiperbárica.

Apesar das histórias diferentes, os dois casos têm um ponto em comum: ambas passaram anos sem saber que tinham PMMA no corpo. O produto está proibido para fins estéticos no Brasil desde 2 de junho de 2026, quando entrou em vigor a Resolução nº 2.461/2026, do Conselho Federal de Medicina (CFM). A medida foi adotada após décadas de relatos de complicações e mortes associadas ao material, entre elas a de Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, que morreu em maio deste ano após realizar um preenchimento nos glúteos em um consultório na zona sul de São Paulo.

A influenciadora digital já abriu o jogo com os seguidores e confirmou ter passado por uma rinoplastia, além de ter colocado próteses de silicone nos seios. Após as gestações, Bruna recorreu a bioestimuladores de colágeno para recuperar a firmeza da pele e faz aplicações preventivas de toxina botulínica no rosto. Ela nega, contudo, ter feito preenchimento nos lábios ou harmonização facial. por Reprodução/ Instagram

Durante muitos anos, o PMMA foi utilizado em situações bastante específicas e em pequenas quantidades. Com o acompanhamento dos pacientes ao longo do tempo, porém, especialistas passaram a observar que o produto podia desencadear complicações tardias, inclusive quando aplicado corretamente. Aos poucos, o material foi sendo substituído por preenchedores considerados mais seguros.

Segundo Ricardo Votto, cirurgião plástico, secretário da Regional de Santa Catarina da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e parceiro da PinkMed, o maior problema está justamente no fato de o PMMA ser permanente. “O problema do PMMA é que ele é permanente. E permanente significa que os riscos também são. Um paciente que aplicou a substância há dez, quinze anos sem qualquer sintoma pode desenvolver uma reação inflamatória a qualquer momento”, explica.

O que fazer se você já aplicou PMMA?

A proibição levantou dúvidas entre milhares de pessoas que realizaram procedimentos com a substância nas últimas décadas. A principal orientação dos especialistas é evitar o pânico. Quem não apresenta sintomas não precisa retirar o material preventivamente. Nesses casos, o recomendado é manter acompanhamento periódico com um cirurgião plástico experiente.

Isso porque a remoção do PMMA costuma ser um procedimento complexo. Com o passar do tempo, a substância se integra aos tecidos do organismo, e sua retirada pode exigir a remoção de estruturas saudáveis, aumentando o risco de sequelas estéticas e funcionais. Por outro lado, alguns sinais exigem avaliação médica imediata, como dor, inchaço, endurecimento, vermelhidão, aparecimento de nódulos ou alterações no contorno da região onde o produto foi aplicado. Também é importante informar aos profissionais de saúde sobre a presença do PMMA antes de qualquer procedimento na área.

E quem nem sabe o que foi aplicado?

Os casos recentes também acenderam outro alerta. Muitas pessoas fizeram procedimentos estéticos há anos e não sabem exatamente qual produto foi utilizado. Segundo o especialista, quem passou por preenchimentos nas últimas duas décadas e não tem essa informação deve tentar descobrir qual substância foi aplicada. Como ocorreu com Juliane Massaoka, o PMMA pode ter sido utilizado sem que o paciente tivesse conhecimento, sendo identificado apenas anos depois, durante outro procedimento ou após o surgimento de complicações.

“Pacientes assintomáticos não precisam entrar em pânico. O acompanhamento com um cirurgião plástico qualificado e a atenção a qualquer sinal de inflamação são as principais medidas. Identificar um processo inflamatório no início pode facilitar o tratamento. E, para quem pretende realizar um procedimento estético, a orientação é sempre perguntar qual produto será utilizado, verificar se ele possui registro na Anvisa e procurar profissionais devidamente habilitados”, orienta Ricardo Votto.

Fonte: Jornal Correio

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