Casos de dengue e chikungunya crescem e reforçam alerta para prevenção

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Enfrentamento das doenças exige dedicação constante e uma combinação de estratégias Crédito: Bruno Concha/Secom

“É uma doença que não desejo ao meu pior inimigo”. Moradora do bairro de Monte Serrat, em Salvador, Maria das Graças Pinto sentiu uma dor insuportável que lhe tirou o conforto em qualquer posição – em pé, sentada ou na hora de dormir –, além de um intenso inchaço nas mãos e pés. Essas foram as duras marcas deixadas pela infecção do vírus da chikungunya. O caso dela, no entanto, não foi o único de pessoas infectadas por arboviroses na capital baiana. Os números, na verdade, mostram uma crescente no número de casos desde o início do ano.

As arboviroses são infecções virais transmitidas principalmente pela picada de artrópodes hematófagos, como mosquitos e carrapatos. O próprio nome da classificação deriva de “arbovírus”, que significa “vírus transmitido por artrópodes”. O grande protagonista na disseminação urbana é o mosquito Aedes aegypti, vetor primário da dengue, da zika e da chikungunya – doenças mais conhecidas dessa categoria.

Os dados extraídos do painel de monitoramento das arboviroses, disponibilizados pelo Ministério da Saúde, expõem um aumento nas notificações, com um salto alarmante no mês de maio. As ocorrências de dengue evoluíram de 119 casos prováveis em janeiro para 812 no quinto mês do ano, período que também registrou um óbito confirmado.

A chikungunya acompanhou a curva ascendente, saltando de sete notificações em janeiro para 98 em maio, enquanto os casos prováveis de zika saíram de quatro para 15 no mesmo intervalo. Até o momento, não foram registrados óbitos por chikungunya ou zika, tampouco contabilizados casos de oropouche e febre amarela no estado.

Segundo a médica infectologista Clarissa Cerqueira, a explosão de casos tem uma explicação clara: “Geralmente, quando a gente aumenta o número de casos, isso tem a ver com o clima e com a situação dos criadouros. É a água acumulada, provavelmente, em decorrente das chuvas, e o aumento de temperatura do clima, que formam o ambiente propício para a proliferação do mosquito”.

Diferenciar qual vírus o paciente contraiu, no entanto, é um desafio. A infectologista explica que, clinicamente, os quadros podem se misturar, mas há indicativos essenciais. “A dengue chama a atenção pela febre alta de início súbito com dor nas juntas, dor atrás dos olhos e dor de cabeça. A chikungunya também dá febre alta e dor nas juntas, porém é um quadro de dor crônica que dura mais dias”, detalha.

A médica ressalta que, logo no início dos sintomas, é difícil separar a dengue da chikungunya, mas um fator exige alerta máximo. A dengue pode causar sangramentos e é a mais grave das três doenças, podendo levar a óbito de forma mais rápida. “Temos que tratar como se fosse dengue enquanto investigamos”, explica. Já a zika possui um diferencial marcante: a febre costuma ser baixa ou ausente, acompanhada, frequentemente, de manchas vermelhas no corpo, que coçam bastante, e conjuntivite.

Prevenção

O enfrentamento das doenças exige dedicação constante e uma combinação de estratégias. O combate ambiental, no entanto, é o primeiro passo. É fundamental certificar que caixas d’água e outros reservatórios de consumo humano estejam hermeticamente tampados, além de realizar a limpeza periódica de calhas, retirando folhas e sujeiras que favoreçam o acúmulo de água.

A rotina de prevenção deve incluir ainda o armazenamento de garrafas e baldes com a boca virada para baixo, a manutenção com areia nos pratos de plantas e a verificação de bandejas de geladeiras e ar-condicionado. Plantas que naturalmente represam água no meio das folhas, como bromélias e bambus, exigem limpeza frequente, assim como ralos e canaletas.

Em recipientes onde não é possível descartar a água imediatamente, recomenda-se a higienização rigorosa das bordas com sabão e bucha, lembrando de jogar possíveis larvas diretamente na terra ou chão seco, além da aplicação de produtos de limpeza se a água não for destinada ao consumo.

Para grandes depósitos, no entanto, a orientação permanece sendo acionar os agentes de saúde para a aplicação de larvicidas. Além do cuidado com os ambientes, Clarissa Cerqueira reforça que o escudo de proteção precisa ser fortalecido individualmente. A especialista orienta o uso adequado de repelentes, aplicados tanto nas áreas expostas do corpo quanto sobre as roupas, somado à imunização disponível. “Temos a vacina para dengue, então a gente tem que fazer essa junção de medidas, combinando fatores ambientais e individuais para termos sucesso”, ressalta.

Seis cidades baianas estão em situação de epidemia de dengue, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), obtidos pelo Conselho Estadual de Saúde (CES). A lista inclui os municípios de Araci, Campo Alegre de Lourdes, Maraú, Remanso, Uauá e Alagoinhas, esta última com decreto de situação de emergência por causa do avanço das arboviroses. Outras 43 cidades estavam em situação de alerta.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para solicitar dados sobre arboviroses em Salvador e no restante do estado, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Jornal Correio

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