Bronquiolite preocupa 60% das gestantes, mas poucas conhecem todos os riscos da doença Crédito:
Embora a bronquiolite tenha se tornado uma das principais preocupações das gestantes brasileiras, quatro em cada dez ainda desconhecem que existem formas de prevenção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da doença, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
O dado é da segunda edição da pesquisa realizada pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipsos-Ipec), a pedido da Pfizer. O levantamento ouviu 530 gestantes brasileiras, com idades entre 18 e 45 anos, de todas as regiões do país, por meio de entrevistas online realizadas entre 13 e 28 de julho de 2026. Desde 2024, a pesquisa investiga o conhecimento e as percepções das gestantes sobre imunização e prevenção de doenças respiratórias.
A comparação com a primeira edição também revela mudanças no cenário ao longo dos últimos dois anos. Em 2024, quando o levantamento foi realizado pela primeira vez, a vacina contra o VSR estava disponível apenas na rede privada. Atualmente, as gestantes também têm acesso à imunização contra o vírus pelo SUS, e a cobertura vacinal entre esse público chega a 85% no país. No período, o percentual de mulheres que conhecem ou já ouviram falar sobre o VSR passou de 58% para 70%, indicando avanço na conscientização sobre o vírus e suas formas de prevenção.
Apesar desse progresso, ainda há lacunas importantes sobre as medidas preventivas. A pesquisa mostra que o aumento da familiaridade com o VSR não significa, necessariamente, que as gestantes conheçam as formas de prevenção disponíveis no SUS.
Essa diferença também aparece nas respostas sobre a vacinação durante a gravidez: 79% das entrevistadas apresentaram ao menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre o tema, enquanto apenas 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas.
A pesquisa aponta ainda a bronquiolite como a principal doença infectocontagiosa que preocupa as gestantes. Citada por 60% das entrevistadas, a doença registrou aumento em relação aos 40% observados em 2024. No entanto, apenas 46% reconhecem corretamente que a bronquiolite pode ser grave, com risco de hospitalização e morte, especialmente entre bebês e idosos. O resultado sugere que a preocupação crescente com a doença não se traduz necessariamente em pleno conhecimento sobre sua gravidade ou sobre as formas de prevenção disponíveis.
Até 2025, cerca de 20 mil bebês menores de um ano eram internados anualmente por bronquiolite no Brasil. Em 2025, foram registradas 42.450 infecções por VSR, das quais 34.988 ocorreram em crianças menores de dois anos e 3.620 naquelas com idades entre dois e quatro anos. No mesmo período, aproximadamente 35 mil crianças dessas faixas etárias precisaram de hospitalização, incluindo 10 mil internações em unidades de terapia intensiva (UTI).²³⁴
“A vacinação materna é extremamente importante para a proteção do bebê em um período em que ele ainda é muito pequeno para contar com seu próprio sistema imunológico e calendário vacinal. A imunização durante a gestação contribui para que o bebê receba anticorpos maternos transferidos pela placenta”, explica a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro.
Lacunas
Em comparação com a edição anterior, a pesquisa identificou avanços no conhecimento sobre imunização durante a gestação. Em 2026, 72% das entrevistadas afirmaram saber da existência de um calendário vacinal específico para gestantes, ante 58% em 2024.
Ainda assim, 25% acreditam que devem seguir apenas o calendário de vacinação correspondente à própria idade. O resultado indica que a adesão às recomendações médicas pode coexistir com dúvidas sobre quais vacinas são indicadas durante a gravidez, quando devem ser aplicadas e qual é seu papel na proteção da mãe e do bebê.
As dúvidas também aparecem quando as gestantes são questionadas sobre a proteção proporcionada pela imunização materna. Embora o conhecimento tenha avançado, 79% apresentaram ao menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre a vacinação durante a gravidez. Apenas 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas, indicando que a maior familiaridade com o tema ainda não representa domínio completo das informações.
Além disso, 31% das entrevistadas ainda não reconhecem que algumas vacinas recomendadas durante a gestação também podem contribuir para proteger o bebê.
Nesse cenário, os profissionais de saúde têm papel central na tomada de decisão das gestantes. O médico responsável pelo acompanhamento pré-natal é a principal fonte de informação sobre gravidez para 77% das respondentes.
Entre as entrevistadas, 88% afirmaram ter recebido recomendação para se vacinar durante a gestação, percentual superior aos 77% registrados em 2024. Entre aquelas que receberam a indicação, 96% disseram que seguem ou pretendem seguir a recomendação. Além disso, 71% relataram cumprir integralmente as orientações recebidas durante o acompanhamento pré-natal.
“A orientação do profissional de saúde durante o pré-natal é fundamental para que a gestante tenha acesso a informações confiáveis e possa tomar decisões conscientes sobre sua saúde e a proteção do bebê. Ampliar o conhecimento sobre a imunização materna continua sendo um desafio, especialmente para que mais mulheres saibam quais medidas de prevenção estão disponíveis e quais são recomendadas durante a gestação”, afirma Adriana.
Apesar da influência dos profissionais de saúde, a vacinação ainda recebe menos atenção nas consultas de pré-natal do que temas como exames de rotina, sintomas da gestação e parto. O cenário aponta para a possibilidade de ampliar as conversas sobre prevenção ao longo da gravidez.
Proteção
A percepção das gestantes sobre a vacinação é majoritariamente positiva: 62% associam a prática a sentimentos de proteção e cuidado, enquanto 26% relatam sensações relacionadas à segurança e à confiança. Apenas 4% mencionam medo ou receio.
O levantamento também aponta o potencial da informação para estimular a prevenção. Após receberem informações sobre a disponibilidade de uma vacina contra o VSR para gestantes no SUS, 89% afirmaram que com certeza ou provavelmente tomariam o imunizante durante a gravidez.
Os resultados indicam, portanto, avanços na conscientização, mas também mostram a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o VSR, a bronquiolite e a vacinação durante o pré-natal.
“Ampliar o conhecimento sobre a vacinação materna ainda é um desafio e precisamos educar para que cada vez mais mulheres saibam da importância da imunização para si e para o bebê. Os resultados mostram que, quando as gestantes recebem informação e orientação adequada, existe uma grande disposição para aderir às medidas de prevenção disponíveis”, conclui.
Fonte: Jornal Correio









