O ponto cego do varejo: as marcas estão deixando bilhões de lado ao ignorar a longevidade

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Imagem: Envato

Faça um teste rápido na sua próxima reunião de negócios ou evento executivo: olhe para baixo. Não é raro ver uma pessoa de 60+, vestindo um terno impecável ou um traje social alinhadíssimo, calçando um tênis esportivo de corrida.

Não se trata de desleixo; trata-se de sobrevivência e conforto. Com o passar dos anos, o corpo pede estabilidade, aderência, elasticidade e ergonomia. O problema? O mercado calçadista ainda acha que sapato elegante precisa doer e que calçado confortável tem que parecer equipamento ortopédico. Na falta de alternativa inteligente, o tênis vence.

Esse pequeno detalhe nos pés é o sintoma perfeito de uma miopia corporativa bilionária. Enquanto boa parte do marketing e das estratégias de produto se digladia pela atenção dispersa da geração Z nas redes sociais, há um contingente de consumidores maduros, ativos e com poder de compra que o varejo simplesmente finge que não existe.

Os números não deixam mentir:

  • O público 60+ dispõe de tempo, vai com frequência às compras e movimenta bilhões;
  • Mais da metade (52%) fazem questão de priorizar qualidade sobre preço, aceitando pagar mais caro por aquilo que realmente resolve sua vida;
  • Para quase um quarto (23%), comprar é parte da rotina de lazer.

E como o mercado retribui todo esse apetite consumidor?

  • 72% afirmam que as lojas físicas e digitais não estão preparadas para a longevidade;
  • 57% sentem que produtos e serviços não foram feitos para eles, sendo empurrados para soluções genéricas;
  • 52% sofrem para simplesmente encontrar o que precisam na prateleira.

O consumidor maduro não quer condescendência, nem peças estereotipadas ou embalagens que tratam envelhecer como fardo. Ele busca design com ergonomia, atendimento que respeite seu tempo e marcas que entendam que a vida aos 60, 70 ou 80 anos é expansão, não retração.

Deixar o público 60+ invisível não é apenas etarismo velado; é, antes de tudo, uma péssima decisão de negócios.

A pergunta provocativa que fica para os comitês de produto e inovação é simples: a sua empresa está pronta para conversar com quem realmente tem poder de decisão e bolso livre, ou vai continuar insistindo em vender tênis de corrida com terno?

Luiz Paulo Foggetti é consultor em Economia da Longevidade e co-head da iniciativa Vigora.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado&Consumo

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