Mulheres infartam mais depois da menopausa? Entenda quais são os riscos para o coração da mulher

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Mulheres infartam mais depois da menopausa? Entenda quais são os riscos para o coração da mulher Crédito: Imagem: Thanapipat Kulmuangdo | Shutterstock

O Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, celebrado no dia 14 de maio, traz um alerta importante a todas as brasileiras. Isso porque, quando o assunto é saúde feminina, é dada muita ênfase à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças como câncer de mama e de colo do útero. Com isso, “muitas mulheres acreditam que a visita anual ao ginecologista é suficiente para o check-up, esquecendo que o coração também precisa de atenção”, segundo o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs.

Em alguns estados, mulheres chegam a superar o número de homens com fatores de risco para doenças do coração. De forma geral, as mulheres tendem a desenvolver doenças cardiovasculares em idade mais avançada que os homens. Um dos motivos é comumente relacionado com os efeitos protetores do estrogênio, enfraquecidos após à menopausa.

“Por exemplo, se para os homens o risco aumenta mais a partir dos 50 anos, para as mulheres a atenção redobra na faixa dos 60”, afirmou Borges. “Mas a idade e a menopausa não são os maiores fatores para o aumento do risco cardiovascular em mulheres, considerando as mudanças nos hábitos de vida modernos, as desigualdades e a falta de conhecimento sobre a saúde cardiovascular feminina”, acrescentou.

A Cartilha da Mulher, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, aponta que grande parte das mulheres ainda desconhece o impacto negativo das doenças cardiovasculares. Além disso, elas também têm mais dificuldade em mudar alguns hábitos fundamentais para evitar fatores de risco. Por isso, “é fundamental que as mulheres estejam bem-informadas sobre a sua saúde cardiovascular e tenham o cuidado com o coração como parte de uma atenção integral à sua saúde”, disse o cardiologista.

O que o gênero tem a ver com a saúde do coração?

Sexo e gênero influenciam diretamente o risco, o diagnóstico e o tratamento das doenças cardiovasculares. Embora as taxas globais dessas doenças estejam em queda, indicando avanços nos tratamentos, o cuidado cardiovascular ainda não atende mulheres da mesma forma que homens.

Entre as doenças do coração mais comuns nas brasileiras, a doença arterial coronariana é a mais frequente. Estima-se que ocorram cerca de 58 eventos a cada 100 mil mulheres, conforme dados de 2020 da Carga Global de Doenças4. Além dessas, outras condições cardíacas comuns incluem insuficiência cardíaca, arritmias e tromboembolismo.

É comum que mulheres, sobretudo aquelas em condição social mais vulnerável, enfrentem diagnóstico tardio, tratamento inadequado e falhas no reconhecimento de condições específicas do sexo feminino.

Menopausa e saúde mental: fatores de risco para infarto em mulheres?

O risco de infarto em mulheres aumenta a partir de uma combinação de fatores biológicos, comportamentais e sociais. Além dos fatores tradicionais, como hipertensão e colesterol alto, aspectos relacionados à menopausa, à saúde mental e aos hábitos de vida têm impacto direto sobre a saúde cardiovascular feminina1,5.

A transição para a menopausa marca um período de maior risco cardiovascular. A explicação está associada à queda dos níveis de estrogênio, que tem efeito protetor natural sobre as artérias. Mulheres que têm sintomas mais intensos, como fogachos, e menopausa precoce estão associadas a um risco maior de doenças do coração2. “Esse é um dos motivos que explicam o aumento do risco de doenças do coração em mulheres mais idosas. Mas não é único e, em muitos casos, não é o mais relevante”, explicou Borges.

Outra diferença entre mulheres e homens é que o infarto em mulheres “nem sempre se manifesta da forma considerada clássica”, diz o cardiologista. “Além dos sintomas mais conhecidos, como dor no peito, falta de ar e fadiga, elas podem apresentar sinais menos óbvios, que nem sempre são imediatamente associados ao coração. Ou nem apresentar sinais, serem assintomáticas.”

Por isso, é importante estimular hábitos de vida mais ativos e saudáveis entre as mulheres. “Não tem caminho mais fácil”, afirmou o médico. Manter esse estilo de vida e acompanhamento médico da saúde cardiovascular é o que qualquer mulher “precisa fazer para cuidar da saúde do coração, em qualquer idade, antes ou depois da menopausa.”

Fonte: Jornal Correio

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