Irã e Brasil falam de ‘estreita cooperação’ após ataque de Trump na Venezuela, diz governo iraniano

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Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O governo do Irã afirmou que o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, chamou o ataque dos Estados Unidos à Venezuela de “uma clara violação da Carta da ONU“.

Vieira, segundo o Ministério das Relações Exteriores, falou ao telefone com o chanceler do Irã, Seyed Abbas Araghchi, nesta terça-feira (6). Os dois discutiram a ofensiva norte-americana em Caracas, na qual o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado.

E falaram de uma “estreita cooperação”.

“O ministro das Relações Exteriores do Brasil elogiou a posição de princípio da República Islâmica do Irã a esse respeito, descrevendo a ação dos EUA de sequestrar o presidente de um país independente como uma clara violação da Carta da ONU”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Na ligação, ainda de acordo com Teerã, os dois chanceleres “enfatizaram a necessidade de estreita cooperação e coordenação entre os países em desenvolvimento em fóruns internacionais, a fim de combater o unilateralismo e apoiar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU”.

O governo brasileiro ainda não havia se manifestado sobre o telefonema até a última atualização desta reportagem.

ONU

Na segunda-feira (5), o Brasil condenou a intervenção norte-americana durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.

Danese afirmou que esse raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.”

“O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou.

A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana no país vizinho. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz.

“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.

Para ele, o ataque e captura de Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável”.

Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela.

Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.

Na reunião de emergência, Rússia e a China, aliados do presidente venezuelano, também condenaram a ação. Os EUA, por outro lado, se defenderam das críticas ao chamar Maduro de “fugitivo da Justiça” e falar em “operação para o cumprimento da lei”.

A Venezuela pediu que o Conselho de Segurança garanta que o governo Trump não se apodere de seus recursos naturais.

No discurso inicial, a vice-secretária-geral da ONU disse que a instituição está “preocupada que a operação não respeitou as regras do direito internacional”.

Também nesta segunda-feira (5), Maduro e Celia participaram de audiência no tribunal de Nova York e declararam ser inocentes. O venezuelano é acusado de chefiar uma organização criminosa que atua no tráfico de drogas na América do Sul.

Conselho de Segurança da ONU — Foto: Eduardo Munoz/Reuters

Conselho de Segurança da ONU — Foto: Eduardo Munoz/Reuters

Escolha pela paz

Sérgio Danese, embaixador do Brasil na ONU, ainda ressaltou em sua fala que a América Latina e o Caribe fizeram a escolha pela paz e lembrou que as intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas, pois produziram regimes autoritários e violações de direitos.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não ingerência”, argumentou.

O embaixador do Brasil na ONU ainda frisou que o Brasil acredita numa solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano com foco na Constituição do país, e que a ação americana afeita a comunidade internacional.

“Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei”, afirmou.

Fonte: G1 Mundo

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