AVC pode atingir jovens e dar sinais que parecem passageiros; veja quando correr para o hospital Crédito: drazen_zigic
Uma dor de cabeça que surge de repente, dificuldade para falar, alteração na visão ou perda de força em um dos lados do corpo podem parecer sintomas passageiros. Mas esses sinais também podem indicar um Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma emergência neurológica em que o tempo de atendimento pode fazer diferença no risco de sequelas.
Embora seja mais frequente entre pessoas idosas, o AVC também pode atingir adultos jovens. Hipertensão, obesidade, diabetes, tabagismo, sedentarismo e consumo de álcool estão entre os fatores que podem aumentar o risco cardiovascular e aparecer cada vez mais cedo.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema. Em 2025, o SUS registrou 292 mil atendimentos por AVC no Brasil, sendo 218 mil relacionados ao tipo isquêmico, provocado pela obstrução de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro. Esse tipo representa cerca de 85% dos casos.
Na Bahia, dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) apontam que cerca de 2.700 pessoas morreram em decorrência de AVC até 24 de outubro de 2025. Desse total, 87% tinham mais de 60 anos. Em Salvador, foram 344 mortes nos dez primeiros meses daquele ano, contra 333 durante todo o ano de 2024.
AVC também pode acontecer em pessoas jovens
Segundo o neurologista Woquiton Martins, professor do curso de Medicina da UniFG Bahia, o AVC não deve ser associado exclusivamente à terceira idade.“O AVC não deve ser encarado como uma doença exclusiva da terceira idade. Quando fatores como hipertensão, obesidade, diabetes, tabagismo, sedentarismo e uso de álcool ou outras substâncias aparecem cada vez mais cedo, o risco cardiovascular também pode surgir precocemente”, explica.
Entre pessoas jovens, segundo o especialista, a investigação pode precisar considerar ainda alterações cardíacas, distúrbios da coagulação e doenças autoimunes e genéticas.
Quais são os sinais de AVC?
Um dos principais alertas é o aparecimento repentino de alterações neurológicas.Entre os sintomas estão:
- fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
- dificuldade para falar ou compreender;
- alteração repentina da visão;
- tontura ou perda de equilíbrio;
- dificuldade para caminhar;
- confusão mental;
- dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente.
Uma maneira simples de observar alguns sinais é prestar atenção ao rosto, aos braços e à fala. Um lado da face pode ficar caído, um dos braços pode perder força e a pessoa pode apresentar dificuldade para falar ou compreender frases. “Diante de qualquer alteração neurológica súbita, não se deve esperar para ver se o sintoma vai passar. É preciso acionar o SAMU, pelo 192, ou procurar imediatamente um serviço de emergência”, alerta Martins.
Por que cada minuto importa?
O AVC pode ser isquêmico, quando um vaso sanguíneo é obstruído, ou hemorrágico, quando há rompimento de um vaso e sangramento no cérebro.Como os tratamentos são diferentes, é necessário identificar rapidamente o tipo de AVC. O diagnóstico geralmente envolve exames de imagem, como a tomografia computadorizada.
Nos casos de AVC isquêmico, alguns pacientes podem receber medicamentos para dissolver o coágulo. Dependendo da situação, também pode ser indicada a trombectomia mecânica, procedimento endovascular utilizado para retirar a obstrução.“Quanto mais cedo o atendimento começa, maiores são as possibilidades de preservar funções neurológicas e reduzir a gravidade das sequelas”, afirma o neurologista.
Sequelas podem aparecer depois do AVC
Mesmo quando a fase de emergência é superada, o paciente pode precisar de acompanhamento e reabilitação.Dependendo da região do cérebro atingida e da extensão da lesão, podem surgir dificuldades motoras, alterações na visão, fala e linguagem, problemas de memória, dificuldade para engolir e mudanças emocionais ou cognitivas.
A recuperação pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e acompanhamento médico, conforme as necessidades de cada paciente.
Como reduzir o risco de AVC?
Nem todos os fatores associados ao AVC podem ser modificados. Idade e predisposição genética, por exemplo, não estão sob controle individual. Mas várias condições relacionadas ao risco cardiovascular podem ser acompanhadas e controladas.
Entre as medidas recomendadas estão:
- manter a pressão arterial sob controle;
- acompanhar glicemia e colesterol;
- não fumar;
- evitar o consumo excessivo de álcool;
- praticar atividade física regularmente;
- manter uma alimentação equilibrada;
- controlar o peso.
O principal alerta, porém, vale para o momento em que os sintomas aparecem: um sinal neurológico súbito não deve ser observado em casa para ver se passa. A orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente.
Fonte: Jornal Correio








