Entre a chegada e a partida ficam as rusgas

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Por Gregório José*

Chegamos ao mundo de mãos abertas e nada nelas. Respiramos pela primeira vez sem possuir sequer o próprio tempo. E ainda assim passamos a vida inteira tentando preencher esse vazio como se ele fosse um erro e não a nossa essência.

Corremos atrás de dinheiro como se ele pudesse comprar permanência. Buscamos prestígio como se ele pudesse nos proteger do esquecimento. Erguemos prédios para tocar o céu e acumulamos coisas para esconder o medo de partir. Chamamos isso de conquista, mas muitas vezes é apenas distração.

No caminho nos perdemos uns dos outros. Brigamos por ideias que não nos abraçam. Defendemos bandeiras que não nos conhecem. Criamos inimizades por nomes, por cores, por vozes que jamais pronunciarão as nossas. E acreditamos que isso importa mais do que o olhar de quem está ao nosso lado.

O tempo não negocia. Ele passa silencioso enquanto insistimos em ganhar o que nunca será nosso de verdade. O corpo envelhece, as certezas se desfazem e tudo aquilo que parecia indispensável começa a perder o peso.

Então chega o fim. E ele é simples. Tão simples que quase parece injusto. Partimos sem levar nada. De mãos vazias como quando chegamos. Cruzadas sobre o peito como um último gesto de entrega. Vestindo algo que não escolhemos, como um lembrete final de que nunca tivemos controle absoluto de nada.

Talvez a grande pergunta nunca tenha sido o que podemos acumular, mas o que conseguimos sentir, construir dentro e compartilhar enquanto estamos aqui.

Porque no fim, o que fica não é o que tivemos. É o que fomos.

*Jornalista/Radialista/Filósofo
Pós Graduado em Gestão Escolar
Pós Graduado em Ciências Políticas
Pós Graduado em Mediação e Conciliação
MBA em Gestão Pública

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”

Fonte: Hoje em Dia

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