Bahia registra 1,1 mil casos de câncer de colo do útero por ano; internações sobem 30% em cinco anos

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Câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais comum na população feminina no Brasil  Crédito: Shutterstock

Terceiro tipo de tumor maligno que mais afeta mulheres, o câncer de colo de útero cresceu na Bahia nos últimos cinco anos. Entre 2020 e 2024, às internações pela neoplasia aumentaram 30,6% no estado, o que tem deixado profissionais de saúde e pesquisadores em alerta.

Por ano, são 1.160 novos casos da doença diagnosticados na Bahia, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o que deixa o estado em primeiro lugar entre todos do Nordeste. No Brasil, são mais de 17 mil diagnósticos anuais. Diante de números como eles, o Brasil lançou a campanha Janeiro Verde, que chama atenção para conscientização sobre a doença, e é um dos países signatários da Estratégia Global para Eliminar o Câncer de Colo do Útero como problema de saúde pública até 2030.

“Casos de câncer, em geral, vêm numa incidência crescente, não é exclusivo do câncer de colo de útero”, diz a médica oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas. “Considerando que o sistema de atendimento à saúde se manteve o mesmo, acredita-se que os números atuais possam decorrer de um possível atraso diagnóstico durante períodos anteriores, da maior conscientização da população sobre a necessidade de rastreamento ou, ainda, da maior efetividade dos programas de rastreamento do câncer de colo uterino na atenção básica”, acrescenta.

Apesar do aumento de internações, a vacinação contra o vírus do HPV (Papilomavírus humano) ainda é a principal forma de prevenção contra o câncer de colo de útero. Isso porque a infecção persistente pelo vírus, que é transmitido em relações sexuais sem preservativo, ainda é o principal fator de risco para desenvolver o tumor.

A vacina contra o HPV está disponível no SUS desde 2014, para crianças a partir dos 9 anos. Como reforça a médica oncologista clínica Marcella Salvadori, especialista em tumores femininos na AMO, o câncer de colo de útero é uma doença possível de prevenção.

“A vacina previne mais de 90% dos casos dos tumores de colo de útero. É uma vacina totalmente segura, que a gente já usa há mais de 20 anos e que temos dados robustos de segurança”, diz Marcella.

Sintomas

Existem mais de 200 subtipos do HPV, mas alguns têm maior risco pelo potencial oncogênico. Nas fases iniciais, o câncer de colo de útero é assintomático. Por isso, é importante e recomendável fazer uma visita ao ginecologista todos os anos. Uma vez diagnosticada uma lesão pré-maligna, é possível perceber se há potencial de se tornar câncer.

“Essas lesões são tratadas cirurgicamente com pequenos procedimentos”, diz a oncologista Marcella Salvadori, da AMO. “Precisa de um profissional qualificado para que a gente possa detectar nas fases inicias. Outros sinais que a gente pode observar é que a maioria dos casos é de pacientes pré-menopausa. Então, se há sangramento fora do período menstrual ou sangramentos após a relação sexual, é algo que deve chamar atenção. Não podemos perder a chance de diagnosticar precocemente”. Mesmo mulheres após os 65 anos devem fazer a visita ginecológica anual e os exames de rastreio, se tiverem vida sexual ativa.

Uma vez diagnosticado de forma precoce, o tratamento cirúrgico é o mais indicado – e pode ser definitivo. Em alguns casos, há uma retirada parcial do colo do útero, mas, em outros, há a possibilidade de uma cirurgia mais ampla, com a retirada total do útero, com pesquisa de linfonodo sentinela, para avaliar se há gânglios provocados pelo tumor na região da pelve, segundo a médica oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas.

Se o câncer estiver em um estágio mais avançado, porém, a cirurgia não é mais indicada. Nesses casos, a recomendação principal é a associação de quimioterapia com radioterapia. É possível, ainda, usar imunoterapia. Nos casos de diagnóstico precoce, as chances de cura superam em 90%.

“O terceiro pilar (do enfrentamento) é a recomendação para que a gente possa dar acesso aos melhores tratamentos para que essa população, uma vez diagnosticada, tenha acesso à quimioterapia, ao cuidado integral, à radioterapia, à fisioterapia pélvica. Tem que falar de prevenção, mas uma vez diagnosticada, tem que garantir que a paciente tenha um cuidado abrangente”, exemplifica.

Fonte: Jornal Correio

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