O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (D) entrega uma carta ao presidente dos EUA, Donald Trump, durante o encontro no Salão Azul da Casa Branca, em Washington, DC, em 7 de julho de 2025. — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
Na terceira visita este ano à Casa Branca, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, entregou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma carta escrita ao Comitê Nobel indicando o presidente americano ao Prêmio Nobel da Paz.
“Você merece”, asseverou o primeiro-ministro de Israel. “Vindo de você, isso é muito significativo”, respondeu o americano.
A troca mútua de elogios escancarou também a comunhão total dos dois líderes em relação ao futuro de Gaza – um enclave sem os palestinos, que seriam reassentados em países vizinhos.
A transferência em massa da população obedece, de acordo com o premiê, ao critério de livre escolha, uma ideia do presidente americano que ele classificou como brilhante.
“Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar, mas se quiserem devem sair. Não deveria ser uma prisão”, justificou, assegurando, contudo, que o poder soberano da segurança do enclave estará sempre nas mãos de Israel.
Nessa empreitada para esvaziar Gaza, ele diz trabalhar em estreita colaboração com os EUA e acredita estar próximo de encontrar países dispostos a receber os palestinos. Até agora, os principais líderes de países árabes descartaram essa possibilidade.
Mais cedo, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, reuniu jornalistas para revelar o plano do governo de construir o que chamou de “cidade humanitária” nas ruínas de Rafah. A proposta visa a concentrar inicialmente 600 mil palestinos num acampamento, de onde só teriam permissão para sair se quisessem emigrar voluntariamente para outro país.
Sob o argumento de proteger os palestinos do domínio do Hamas, Katz detalhou o objetivo de ampliar o plano, transferindo toda a população civil de Gaza – mais de 2 milhões de pessoas – para esta área costeira no sul do enclave.
“Uma vez lá dentro, os moradores não teriam permissão para sair”, explicou Katz.
Assim como Netanyahu, o ministro da Defesa também reforçou o conceito de emigração voluntária, que, para especialistas de direitos humanos, é a tradução de limpeza étnica. Para isso, ele ordenou ao Exército que iniciasse a operação no dia seguinte à implementação do cessar-fogo em negociação entre Israel e o Hamas.
Sua execução, porém, esbarra em aspectos obscuros. Aplaudido pela ala extremista da coalizão governista, que vê a possibilidade de instalar em Gaza assentamentos de colonos, o plano do governo entra em rota de colisão com os objetivos do Exército.
O comandante das Forças Armadas, Eyal Zamir, já deixou claro que não está entre suas funções mobilizar a população para dentro ou fora de Gaza.
Outro foco de divergência está na administração da cidade, que, segundo Katz, ficaria a cargo de organizações internacionais. Mas, à exceção da Fundação Humanitária de Gaza, apoiada por Israel e EUA, dificilmente entidades humanitárias respeitadas aceitariam colaborar com o projeto do governo israelense de deslocar à força a população do enclave.
A expulsão em massa dos palestinos se mostra bem mais sombria e cruel do que a descrição simplista exposta por Netanyahu na Casa Branca.
Fonte: G1 Mundo