Imagem: Envato
Para muitas marcas, crescer é, muitas vezes, o único sinônimo de sucesso, seja por sua expansão de pontos de venda, seja para ganhar escala e alcançar novos mercados. Não é por acaso que o modelo de franquias segue em constante expansão pelo País: em 2024, o setor faturou cerca de R$ 273,08 bilhões, um crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior, sinalizando a força e a maturidade desse formato de negócio no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Conforme as redes se multiplicam, surge um novo desafio que vai além da performance financeira. Quando esse crescimento acontece por meio das franquias, a dúvida que surge é como garantir que o propósito de uma marca não se perca, seguindo vivo em cada nova unidade, cidade ou, em alguns casos, em outro país.
Bom, ao olharmos para o segmento de varejo infantil, sabemos que apenas vender produtos nunca foi o suficiente, pois os consumidores deste segmento esperam valores claros e uma experiência que faça sentido para o seu dia a dia. A partir do momento em que olhamos para marcas que nascem já com um DNA forte, esse comprometimento não pode se perder no caminho da expansão.
Em redes franqueadas, existe um risco muito conhecido: o de padronizar demais e perder a essência de uma marca ou, então, ter flexibilidade em excesso e diluir a sua identidade. Em momentos como esse, o principal caminho está em tomar decisões consistentes, que se refletem desde o relacionamento com franqueados e colaboradores até a experiência entregue ao consumidor final.
Quando uma marca decide expandir sua atuação para outros países, por exemplo, o desafio se amplia. Garantir a experiência de marca em mercados culturalmente diferentes exige clareza sobre a própria identidade, mas também sensibilidade para respeitar as especificidades locais. Isso passa por acompanhamento próximo das operações, canais de comunicação abertos e equipes preparadas para oferecer orientação em todas as etapas do processo.
Mais do que replicar um modelo de loja, franquear significa compartilhar uma cultura e, para que esse movimento seja efetivo, é fundamental formar parceiros que compreendam o propósito da marca não como um discurso engessado, mas como uma prática diária. Os valores aparecem na curadoria de produtos, no atendimento, nos pontos físicos e na forma como a empresa se posiciona diante do mercado.
No final das contas, vender é apenas uma consequência de uma série de fatores construídos em conjunto ao longo do tempo. Marcas que crescem de forma consistente entendem que franquias não são apenas canais de distribuição, mas extensões da sua essência.
Em segmentos sensíveis como o infantil, esse cuidado se torna ainda mais relevante. Criar redes comprometidas com a infância, afeto e encantamento é o que permite construir legados duradouros, capazes de atravessar gerações. Em um mercado cada vez mais competitivo, não são as marcas que apenas vendem que permanecem em crescimento constante, mas aquelas que sabem por que existem e até onde querem chegar.
Diego Colli é CCO da Pampili.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Fonte: Mercado&Consumo









