Pessoas fazem fila perto da Pirâmide de Vidro do Museu do Louvre para entrar no museu, que permanece fechado enquanto seus funcionários continuam as discussões sobre a possibilidade de estender uma greve por melhores salários e condições de trabalho neste 17 de dezembro de 2025 — Foto: Reuters/Abdul Saboor
O Museu do Louvre afirmou que fraudes são “estatisticamente inevitáveis” em instituições de grande porte, após a revelação de um suposto esquema de desvio de ingressos que pode ter causado prejuízo superior a 10 milhões de euros ao longo de uma década.
A declaração foi dada por Kim Pham, administrador-geral do museu, em entrevista à Associated Press. Segundo ele, a dimensão única do Louvre o torna particularmente vulnerável a esse tipo de problema.
Pham, responsável pelas operações diárias, questionou qual museu no mundo, com nível semelhante de público, não enfrentaria episódios de fraude em algum momento.
O desafio é administrar um espaço de 86 mil metros quadrados, com cerca de 35 mil obras expostas e aproximadamente 9 milhões de visitantes por ano.
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Pessoas fazem fila perto da Pirâmide de Vidro do Museu do Louvre para entrar no museu, que permanece fechado enquanto seus funcionários continuam as discussões sobre a possibilidade de estender uma greve por melhores salários e condições de trabalho neste 17 de dezembro de 2025 — Foto: Reuters/Abdul Saboor
Investigação envolve nove suspeitos
Promotores de Paris informaram que nove pessoas foram detidas e formalmente acusadas de participação no esquema, que agora é alvo de investigação judicial.
Entre os suspeitos estão dois guias turísticos chineses, acusados de levar grupos ao museu reutilizando o mesmo ingresso várias vezes para visitantes diferentes, com suposta ajuda de funcionários da instituição.
O Louvre apresentou a denúncia às autoridades em dezembro de 2024. Investigadores estimam perdas superiores a 10 milhões de euros em dez anos, com a rede criminosa levando até 20 grupos guiados por dia. Pham não confirmou os valores, alegando que o inquérito ainda está em andamento.
De acordo com a Promotoria, além da reutilização de ingressos, os guias às vezes dividiam os grupos para evitar o pagamento de uma taxa obrigatória ao museu para realizar visitas guiadas.
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Exterior do Museu do Louvre, em Paris, o museu mais visitado do mundo. — Foto: Ian Langsdon/AFP
Série de problemas recentes
Nos últimos meses, o Louvre enfrentou outros episódios que chamaram atenção, como o furto das Joias da Coroa Francesa em outubro de 2025, vazamentos de água que danificaram livros raros, paralisações de funcionários e uma greve espontânea no verão passado por condições de trabalho, turismo excessivo e falta de pessoal.
Questionado se o novo caso reforça a ideia de descontrole, Pham rebateu. “O Louvre é simplesmente o maior museu do mundo”, afirmou.
Complexidade histórica e estrutural
Pham descreveu o museu como um edifício histórico que começou a surgir no início do século XIII e passou por diversas transformações até o século XX.
Segundo ele, é natural que existam dificuldades em uma estrutura tão complexa, embora tenha reconhecido falhas nos mecanismos de controle. “O combate à fraude é uma ação permanente”, disse.
O administrador também destacou que foi o próprio museu que alertou a polícia sobre o caso.
Ele negou que a falta de funcionários — apontada por greves recentes — tenha contribuído para o esquema. “O quadro de pessoal está em nível adequado para essas funções”, afirmou.
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Trabalhadores do Louvre entraram em greve em 15 de dezembro de 2025. — Foto: REUTERS/Benoit Tessier
Fraudes migraram para o ambiente digital
Pham disse que o problema está cada vez mais ligado ao ambiente online, já que cerca de 90% dos ingressos são comprados pela internet.
Entre as irregularidades identificadas estão compras fraudulentas com cartões roubados, desvio de ingressos gratuitos para revenda e uso de bilhetes falsos.
Segundo ele, o limite diário de visitantes adotado após a pandemia pode aumentar a escassez de ingressos e atrair fraudadores, comparando a situação à venda de entradas para shows muito concorridos.
Medidas de controle foram reforçadas
O caso veio à tona enquanto o museu ainda lida com as consequências do roubo das joias históricas, avaliadas em cerca de 88 milhões de euros, levadas por um grupo que entrou por uma janela durante o horário de visitação. Parte dos suspeitos foi presa, mas os itens continuam desaparecidos.
Pham afirmou que o Louvre passou a restringir o número de validações por ingresso nos pontos de controle.
Agora, bilhetes individuais podem ser escaneados no máximo duas vezes, e ingressos de grupos, apenas uma. A mudança busca impedir que guias reutilizem entradas para novos visitantes.
O museu também realiza verificações antes dos pontos de acesso e dentro das galerias.
Dois funcionários investigados foram afastados durante o processo, mas a instituição ressaltou que eles seguem presumidos inocentes até a conclusão das apurações.
Fonte: Portal G1 Mundo









